[Pancreatite] Conheça as principais características imagenológicas da Pancreatite.

Pancreatite - Bons Estudos.

CARACTERÍSTICAS IMAGENOLÓGICAS DA PANCREATITE

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Em geral, a Pancreatite Aguda é diagnosticada clinicamente. O papel dos exames de imagem consiste em esclarecer o diagnóstico quando o quadro clínico é confuso, avaliar a gravidade, estabelecer o prognóstico e detectar complicações. A inflamação do tecido pancreático  leva à ruptura dos pequenos ductos pancreáticos, com consequente extravasamento das secreções pancreáticas. Como o Pâncreas carece de cápsulas, os sucos pancreáticos têm fácil acesso aos tecidos circundantes. As enzimas pancreáticas digerem as camadas fasciais, com propagação do processo inflamatório para múltiplos compartimentos anatômicos.

Os exames de imagem podem ser normais nos casos leves de Pancreatite Aguda. A Tomografia Computadorizada contrastada fornece a avaliação inicial mais abrangente, todavia, a Ultrassonografia mostra-se útil para acompanhamento de anormalidades específicas, como coleções líquidas. As anormalidades que podem ser observadas no Pâncreas incluem aumento focal ou difuso do parênquima, alterações na densidade devido à presença de edema e borramento das margens da glândula devido a inflamação.

As normalidades nos tecidos peripancreáticos incluem densificação da gordura adjacente, com pouca nitidez dos planos de gordura e espessamento dos planos fasciais afetados. Pode ser necessária uma biópsia de aspiração orientada por US ou por TC, para confirmar a presença de abcesso pancreático. A colocação de cateter orientada por imagem fornece uma alternativa à drenagem cirúrgica das coleções líquidas pancreáticas. A Ressonância Magnética com contraste é equivalente à TC na avaliação da pancreatite.

A Pancreatite Crônica é causada por episódios recorrentes e prolongados de Pancreatite Aguda, que provocam atrofia do parênquima e fibrose progressiva. Pode haver comprometimento das funções exócrina e endócrina do Pâncreas. As causas mais comuns consistem em abuso de álcool e cálculos biliares. Muitos dos pacientes remanescentes podem apresentar Pancreatite Autoimune, que caracteriza-se por estreitamento difuso do ducto pancreático e por uma cápsula bem definida que circunda o Pâncreas e exibe captação tardia de contraste; responde à terapia com esteroides. O diagnóstico clínico da Pancreatite Crônica é frequentemente vago, de modo que a imagem é utilizada para confirmar o diagnóstico e detectar complicações.

As alterações morfológicas na Pancreatite Crônica incluem:

  • Dilatação do ducto pancreático com áreas alternadas de dilatação e constrição;
  • Diminuição do tecido pancreático visível, devido a atrofia;
  • Calcificações no parênquima pancreático, que variam de finamente pontilhadas a grosseiras, em geral associadas à Pancreatite Alcoólica;
  • Coleções líquidas, intra e extra pancreáticas;
  • Aumento focal do Pâncreas, devido a inflamação benigna e fibrose;
  • Dilatação do ducto colédoco, devido a fibrose ou uma massa na cabeça do Pâncreas;
  • Espessamento fascial e alterações inflamatórias crônicas nos tecidos circundantes.

A diferenciação entre massa inflamatória secundária e a Pancreatite Crônica e Carcinoma Pancreático frequentemente exige biópsia orientada por imagem. A RM revela a fibrose e a atrofia do parênquima e as calcificações são melhor demonstradas por TC, US e Radiografia Simples, que são facilmente omitidas na RM.

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Pancreatite Necrosante Aguda. TC realizada com contraste demonstra realce apenas na parte distal do corpo do Pâncreas (p). A cabeça e o colo do Pâncreas não realçam a extensão perdidos no líquido (f), que se estende a partir do leito pancreático. Esse achado na TC indica necrose pancreática. Estômago (st), Fígado (L), Veia Cava Inferior (ivc), Aorta (ao) e Rim (k).

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Coleções Líquidas Pancreáticas. Ocorreram três coleções de líquido (F) como complicação de Pancreatite Aguda. O líquido pancreático dissecou até locais subcapsulares no Fígado (L) e Baço (S) e uma coleção (seta) formou-se dentro da Cavidade Peritoneal.

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Abcesso Pancreático. O ar (A) e o líquido (f) estendem-se a partir do leito do Pâncreas (p) nessa TC realizada sem contraste. A presença de ar no leito pancreático indica abcesso e/ou comunicação fistulosa com o intestino. Estômago (st), Fígado (l), Veia Cava Inferior (v), Aorta (a) e Rim (k).

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Pancreatite Crônica. TC demonstra dilatação acentuada do ducto pancreático (seta) associada a atrofia (cabeça da seta) do parênquima pancreático. Esses são os achados típicos de Pancreatite Crônica. Veia Esplênica (SV).

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Prof. Me. Raphael Ruiz

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Referência:
BRANT, W. E; HELMS, C. A. Fundamentos de Radiologia: diagnóstico por imagem. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 2012.

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  • Edvaldo Filho

    Muito importante pra me que estou começando agora me deu ótimas referências

    • radiologianapalmadamao

      Ficamos felizes em saber que tenha gostado do conteúdo Edvaldo. Muito obrigado por acompanhar nosso trabalho e por deixar seu comentário. Abraços.

  • Roseane Paixao

    Adorei!vocês são massa

    • radiologianapalmadamao

      Olá Roseane, muito obrigado por acompanhar nosso trabalho e por deixar seu comentário. Forte abraço.