[Tuberculose] Características Imagenológicas da Tuberculose em Radiografias e Tomografia Computadorizada.

Tuberculose - Bons Estudos.

TUBERCULOSE POR RADIOGRAFIAS E TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA

Características Imagenológicas da Tuberculose em Radiografias e Tomografia Computadorizada.

Os métodos de imagem têm um papel de destaque na avaliação das doenças torácicas e a Radiografia de Tórax, juntamente com a Baciloscopia do Escarro (<= PDF), ainda é o principal método na avaliação inicial e no acompanhamento dos pacientes com Tuberculose. A Tomografia Computadorizada, por se mais sensível e específica do que a Radiografia do Tórax, tem sido utilizada como um excelente instrumento diagnóstico da Tuberculose quando a Radiografia do Tórax mostra alterações duvidosas.

A porta de entrada do Mycobacterium Tuberculosis no organismo humano é o pulmão. Por conseguinte, a Radiografia de Tórax reflete alguns dos sucessivos eventos biopatológicos que lá ocorrem a partir do contágio inicial. As alterações radiográficas da Tuberculose pulmonar podem ser abordadas considerando-se três situações:

  • Tuberculose Latente: ocorre com mais frequência na infância. Na maioria dos casos, ela passa despercebida do ponto de vista clínico, podendo ser confundida com infecções virais ou bacterianas quando sintomática.
  • Tuberculose Primária: embora ocorra com mais frequência em crianças, não é exclusiva dessas, podendo também ser observada em adultos. Nas crianças, o diagnóstico definitivo através da baciloscopia do escarro ou de cultura para o bacilo de Koch é difícil, o que faz com que os métodos de imagem assumam extraordinário papel quando interpretados adequadamente dentro de um contexto clínico-epidemiológico compatível.

Alterações radiográficas mais comuns na Tuberculose latente e primária:

  • Linfonodomegalias hilares e/ou mediastinais são os achados mais frequentes , determinando redução volumétrica dos pulmões;
  • A alteração pulmonar mais encontrada é a opacidade parenquimatosa, que pode estar associada à escavação, calcificação e disseminação broncogênica;
  • Alterações pleurais são mais raras na infância;
  • Formas milares são mais frequentes em pacientes não vacinados com BCG.

Tuberculose Secundária é também conhecida como Tuberculose de reinfecção ou pós-primária. É a forma mais comum de adoecimento entre adolescentes e adultos e nesses casos, a forma pulmonar responde por 85-90% dos casos.

Alterações radiográficas mais comuns na Tuberculose Secundária:

  • Lesões iniciais, chamadas de infiltrados precoces , são pouco diagnosticadas  e localizam-se predominantemente nos lobos superiores e nas regiões apicais, infraclaviculares e intercleido-hilares;
  • Opacidades parenquimatosas heterogêneas confluentes, ocorrendo em mais de um segmento ou lobos pulmonares incluindo bilateralidade, localizadas com mais frequência nos segmentos dorsais dos lobos superiores e nos segmentos apicais dos lobos inferiores;
  • Opacidades parenquimatosas lobares associadas a tênues linhas de permeio em direção ao hilo pulmonar, traduzindo disseminação linfática local, o que caracteriza o sinal da convergência hilar, configurando o quadro de “pneumonia tuberculosa” mais comum no lobo superior direito;
  • Opacidade nodular única ou múltipla, que pode evoluir com escavação;
  • Cavidade única ou múltipla, na maioria das vezes sem nível líquido, medindo de 2-5 cm de diâmetro, com paredes espessadas e imagens acinares pericavitárias, sugerindo atividade de doença, imagens fibroatelectásicas com calcificações parenquimatosas de permeio, notadamente nos lobos superiores, associadas a desvio de estruturas mediastinais para o mesmo lado da lesão;
  • Micronódulos difusamente distribuídos com 3-5 mm de diâmetro;
  • Envolvimento pleural pode ocorrer simultaneamente em até 25% dos casos;
  • Ausência de linfonodomegalias mediastinais.

Tuberculose Secundária. Radiografia em PA demonstrando opacidade de limites imprecisos associada à cavidade de paredes espessas no lobo superior direito. Notar opacidades lineares em direção ao hilo, de permeio à opacidade descrita, configurando o “sinal da convergência hilar” (setas).

Tomografia Computadorizada.

A maior sensibilidade da TC, está indicada nos pacientes sintomáticos respiratórios com baciloscopia do escarro negativa; nos pacientes suspeitos de Tuberculose nos quais a Radiografia de Tórax é normal ou demonstra alteração duvidosa; nos casos em que é necessária uma avaliação mediastinal mais detalhada; doença difusa; nos pacientes que apresentam alterações endobrônquicas; e naqueles com extensas sequelas que podem necessitar de intervenções cirúrgicas.

A TC, ao contrário da Radiografia, pode demonstrar alterações em pequenas estruturas pulmonares, como o lóbulo secundário. As alterações tomográficas mais comuns descritas na Tuberculose são: nódulos do espaço aéreo ou acinares; áreas de consolidação lobar ou opacidades em vidro fosco; cavidades e alterações de vias aéreas, caracterizadas por espessamento das paredes, dilatação e aproximação de brônquios.

Nódulos do espaço aéreo associados a ramificações lineares configuram o padrão descrito como árvore em brotoamento e embora não específico, é a alteração tomográfica mais sugestiva de atividade da doença. Dessa forma, torna-se fundamental analisar a TC dentro de um contexto clínico e epidemiológico, diminuindo assim, a possibilidade de erro.

Tuberculose Secundária. Em A, corte tomográfico registrado em janela parenquimatosa, demonstrando opacidade parenquimatosa de limites imprecisos, associada a espessamento do tecido conjuntivo peribrônquico em direção ao hilo pulmonar, características da disseminação linfática regional da doença, o que configura o sinal da chamada “convergência hilar” (setas).

Em B, corte tomográfico registrado em janela parenquimatosa no nível dos lobos superiores, demonstrando opacidades parenquimatosas  confluentes de permeio a nódulos acinares, alguns ramificados, associados a espessamento acentuado das paredes brônquicas (setas).

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Professor Raphael Ruiz.

Referência:
Capone D, Capone RB, Souza RLP . Diagnóstico por Imagem da Tuberculose. Pulmão RJ 2012;21(1):36-40.

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